Nota breve sobre a ligação ao projecto “Winnicott-Portugal”

Tomei contacto com o projecto “Winnicott-Portugal” através de Maria do Rosário Belo, minha colega investigadora do PRAXIS – Centro de Filosofia, Política e Cultura, e a quem devo o generoso convite para tomar parte na iniciativa. Também a Prof.ª Irene Borges Duarte, a partir desse mesmo enquadramento institucional, e na sequência de um já longo acompanhamento do percurso de investigação em filosofia que tenho vindo a realizar, chamou, logo depois, a minha atenção para a novidade e a importância deste projecto no contexto da psicanálise em Portugal.

A minha primeira expectativa é a de que esta plataforma cumpra o propósito de dar força, voz e dimensão a uma comunidade de profissionais que encontram em Winnicott e no pensamento winnicottiano um suporte conceptual de eleição para a prática que levam a cabo no âmbito dos seus campos de especialidade, seja a intervenção em contexto clínico e psicanalítico, seja a actuação em vertentes como a da educação, a do trabalho social ou a da investigação, entre outras.

Em estreita conexão com isso, destaco ainda o desiderato de que este projecto contribua para dar a ver a públicos interessados e à sociedade em geral o refinamento, a versatilidade e a amplitude do pensamento psicanalítico winnicottiano, características que espelham quer o seu rigor e exigência científicos, quer o seu humanismo, e que lhe dão, desse modo, um potencial de compreensão e de transformação singulares num vasto conjunto de dimensões da vida humana, desde a relação de cuidado originária entre a mãe e o bebé, passando pela organização e actuação de instituições da mais variada índole, até à construção partilhada e a um envolvimento vital com a cultura e os processos de criação.

Assumo, enfim, o projecto “Winnicott-Portugal” como uma companhia de buscadores, pessoas que, unidas pelo mesmo espírito questionador e pouco dado a dogmatismos que animava Winnicott, não querem manter-se presas a verdades feitas e prontas a servir, mas sabem que só há dois mestres a reverenciar: a chama de uma curiosidade que nunca deve deixar de ser acalentada, e o trabalho ao serviço do bem de todos e de cada um.

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