A fotografia-aparição de Hosoe Eikoh





Logo à chegada uma força centrípeta atira-nos para o meio, estamos no olho do agueiro e ali ficamos, pregados ao chão… bem no meio, olhando as 11 aparições em volta.
Hijikata, o bailarino butoh revela-nos, mesmo que bidimensionalmente, a estranheza do seu movimento, é ele quem primeiro nos apresenta à criatura, faz de nós testemunhas, observadores daquele enigmático mundo invisível.
E assim vai tomando posse, Kamaitachi, o turbulento fenómeno cortante que nos infecta com os cortes luminares de cada fotografia.
Cada uma – uma aparição…, uma aurora que nos atravessa e corta a realidade do espaço-tempo. São feixes de luz raio X, impressões brancas fugidias que atingem a menina do olho do nosso corpo com uma chicotada resplandecente que nos encandeia.
Por instantes: cegos, hipnotizados no espaço aparentemente claro e calmo mas transformado em palco onde cabemos voyeuristas e escrutinados – a criatura está à espreita!
Há um sentido de inquietação ali, queremos demorar-nos, desvendar, intuindo ao mesmo tempo que somos nós: nós mesmos, aquilo que é olhado de volta, aquilo que é destapado.
E poderíamos assim continuar, numa luta de descoberta e ocultação até não avistarmos mais nada, só luz, luz, luz…
Ana Petrucci
https://www.ochrespace.com/portfolio/eikoh-hosoe-the-master-of-masters-of-japanese-photography/
